Uma reflexão interessante é feita pelo jornalista André Deak – da Agência Brasil –  sobre alterações estruturais nas redações de diferentes empresas de comunicação. O autor parte de algumas questões simples, para traçar um panorama das grandes alterações que em breve devem atingir a maioria dos jornais brasileiros:

A mudança física de uma redação ajuda a mudar a mentalidade do jornalista? Por outra: a unificação das redações de TV, internet, jornal e rádio facilita a integração da pauta, da apuração, da edição e da veiculação?

Essa, ao menos, parece ser a tendência mundial – apesar de alguns chamarem isso de modismo.

[abaixo, a redação do jornal El Tiempo, da Colômbia]

Quem apostou na inovação recentemente foi a redação do El Tiempo, por exemplo. Achei, no Infotendencia, um link para o Cobertura Digital, exatamente sobre essa experiência nas redações da América Latina. Lá, Christian Espinosa conta que o mais impressionante na visita que fez à redação do El Tiempo é “que há um set de televisão bem no meio. É a mostra de que o Grupo El Tiempo já não pensa só em papel, mas em conteúdo”.

“El set de TV es la apuesta por los contenidos en video producidos por la redacción digital que no están apartados como bichos raros en otro piso o en una oficina alejada de la redacción principal. Está incrustada en medio de los periodistas que cubren su información para la versión impresa.”

Espinosa se pergunta “por que integrar as redações?”, e responde com um memorando interno (2005) dos editores executivos Bill Keller e Martin Nisenholtz, do New York Times, quando iniciaram a integração das redações do impresso e do online. Abaixo, um trecho dele:

“By integrating the newsrooms we plan to diminish and eventually eliminate the difference between newspaper journalists and Web journalists — to reorganize our structures and our minds to make Web journalism, in forms that are both familiar and yet-to-be-invented, as natural to us as writing and editing, and to do all of this without losing the essential qualities that make us The Times. Our readers are moving, and so are we.”

Michael Smith, no ótimo artigo Do new newsroom create new content?, diz que não há nenhum estudo que comprove que arrastar os móveis da redação, derrubar paredes e mudar o nome de algumas funções mude a cultura das redações. Mas algumas visões sobre a própria profissão já estão sendo revistas. Ele cita Marcel Proust: “The real voyage of discovery consists not in seeking new landscapes but in having new eyes.”

Fairfax

Veja o desenho acima: é a planta da redação do grupo Fairfax, na Australia, que resolveu juntar várias operações jornalísticas que possui no país. O editor Mike van Niekerk disse:

“There’s no guarantee that if you adopt the second approach you will be a successful media company in the future but I am sure that if you do not you will eventually shrink in size and probably fail as a business. To give yourself a chance of success you will have to change the structure of your newsroom and the workflow of your journalists and for both of these you are going to have to change your culture. ”

“The reason is simple: our audiences are on the move. They are increasingly accustomed to finding out what’s happened or what’s important when it’s convenient for them, wherever they are. Digital technology has changed the game. They no longer rely solely on the morning newspaper and the evening network news.”

E para terminar:

“Now, it really doesn’t matter what the floor layout is, the key to what you’re looking for is better communication. It’s about having people next to each other who can make quick decisions informed by regular communication. Physical distance is the greatest barrier to good decision making in the news room.”

Jonathon Landman, editor do grupo Times, diz mais ou menos isso, após quase dois anos depois do New York Times ter juntado num mesmo espaço a redação do impresso e do online:

“A year and a half into our integration experiment, newspaper people have learned the usual new tricks. Reporters blog and podcast. They shoot some video; so do photographers. Editors work alongside product developers, helping to plan, execute and manage new web products like verticals and topics pages”.

No Brasil, como disse Eduardo Tessler, há pouca coisa acontecendo.

PS: Vale a pena conhecer o estudo de Guillermo Franco e Julio César Gusmán, jornalistas do El Tiempo, produziram um estudo sobre o estado do jornalismo online na América Latina. Entrevistaram 70 chefes de websites noticiosos, em quase todos os países da região. É um bom termômetro para saber como andam as redações na internet por aí.