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 imagem (c) Reuters

Não é claro, nem nas fotografias nem no vídeo divulgados pelas agências internacionais, se foi o soldado birmanês mais próximo do jornalista Kenji Nagai que fez o disparo que lhe tirou a vida quando trabalhava cobrindo as manifestações pro-democracia em Rangum.

Acontece que a fotografia da Reuters que mostra o repórter japonês estendido no chão com um militar de metralhadora em punho era um prato cheio para os veículosa sensacionalistas. Em todas as guerras, em todos os conflitos e em todas as revoluções os meios de comunicação  se esforçam para encontrar uma imagem que condense o turbilhão de acontecimentos, uma imagem que fique como ícone desse lapso na marcha do tempo. Essa busca é de tal maneira voraz que muitas vezes se cometem todo o tipo de atropelos, principalmente o da falta à verdade.

E não é só a dúvida em relação ao autor do disparo mortal que muitos atribuíram ao militar que corre de chinelos mesmo ali ao lado. Títulos bem respeitados., como o El País, da Espanha ou o Corriere della Sera, da Itália, não hesitaram em escrever que Kenji Nagai mesmo no chão, em agonia, não parou de tirar fotografias do que se passava à sua volta. Pelo que se consegue perceber da imagem, o impacto do disparo fez com que Nagai tombasse de costas. O jornalista até tenta esboçar alguma reação, mas logo  por intinto, parece pedir ajuda. Daí a dizer que estava tirando  fotografias milésimos de segundo antes de morrer vai uma enorme distância.

Com ArtePhotográphica