A captação e o domínio da publicação da notícia em vários suportes tornaram-se exigências para os jornalistas. A convergência das mídias – em pauta na imprensa desde meados dos anos 2000 – impôs aos profissionais simultaneidade e acúmulo de funções. Ao trabalho dos repórteres fotográficos foram incorporadas as produções em vídeo.
A digitalização aproximou os veículos impressos, rádios e televisões na internet. No projeto das empresas de comunicação, os repórteres “multiplataformas” têm conhecimento da fixação da informação nos meios eletrônicos e sua publicação em tempo real.
Esse novo gênero de comunicação cobra do jornalista algum domínio de texto, captação em áudio e imagem. Num setor movido pela redução de  custos, a mão de obra ideal – segundo as empresas – produz simultaneamente múltiplos formatos, adaptando a apuração ao noticiário impresso, sonoro ou videorreportagens.
Na prática, ampliaram-se para os profissionais os aspectos negativos do dia a dia, como a pressão sobre os vários fechamentos, o estresse e a fadiga gerada pelo transporte e manuseio de equipamentos mais pesados. De forma geral, os salários não incorporaram a escalada das novidades e das habilidades técnicas.
Idealizado como um propagador de tarefas, assim como um produto multifuncional com fax, escaner e impressora, o repórter completo detém as ferramentas para produção e edição de entrevistas escritas e gráficas, em arquivos de áudio, vídeo, além da veiculação imediata em todos os suportes. Para os empresários de comunicação, ao ter em mãos uma câmera que também grava formatos de vídeo, o fotojornalista poderá produzir reportagens e substituir uma equipe de televisão. A câmera fotográfica que captura imagens em vídeo, continua a ser uma câmera fotográfica que perde agilidade, foco automático, funções e ergonomia. Para atuar como gravadora de vídeos, a câmera precisa de adaptadores para manuseio de foco, tripé com cabeça hidráulica para movimento e estabilidade; microfone, cabo e um gravador digital externo para o áudio.
Alguns assuntos com movimento, como esportes, têm resultados pífios quando captados com uma câmera fotográfica. O tempo contínuo de gravação nos modelos atuais é restrito, limitado a 10, 15 minutos de operação.
Somam-se, então, mais 9 kg à mochila do repórter fotográfico, que carrega câmera, objetivas, baterias e notebook. Se, tecnicamente, um fotojornalista pode improvisar muito ou utilizar flash num assunto, serão necessários um ou dois tripés com iluminação para clarear o mesmo tema no vídeo. Não é razoável que uma única pessoa carregue esse volume de equipamentos e tenha tantas atribuições.
O produto jornalístico compreende o trabalho coletivo e ordenado de vários profissionais. Na consagrada fórmula do meio impresso, um repórter de texto e um repórter fotográfico vão às ruas e apuram uma notícia. No meio audiovisual, outras colaborações estão associadas na realização de matéria noticiosa.
São muitas mãos que trabalham em conjunto numa reportagem televisiva. Além de pauteiros, produtores e editores que atuam na preparação, existem equipes regulares formadas com repórteres, repórteres cinematográficos e auxiliares que executam o serviço externo, que será revisado e finalizado por editores de texto e de vídeo antes de sua difusão no meio eletrônico.
Do ponto de vista do conteúdo de qualidade, jornalismo é o fruto de atos complementares entre profissionais. Pouco precisa será a informação que um repórter publicará no jornal ou site, caso ele tenha de manipular simultaneamente as anotações e uma câmera fotográfica, que carece de ajustes de foco e de iluminação para congelar as expressões do entrevistado.
Da mesma forma, faltariam braços ao repórter cinematográfico que fosse obrigado a questionar um entrevistado, apontar-lhe o microfone e, ao mesmo tempo em que avalia as respostas, manter estáveis enquadramento, controles de zoom e diafragma da câmera de vídeo.
O noticiário audiovisual é, nesse modelo de produção, o resultado de ações complementares e do período necessário para execução. O acúmulo das funções resulta num produto sofrível ou noticiário ruim.
Elaborar um roteiro, apurar, captar imagens, áudio e editar uma matéria jornalística são competências que um repórter fotográfico pode desenvolver, desde que tenha treinamento e tempo adequado para produção.
É importante ressaltar que conhecer processos não significa ter a capacidade de executá-los simultaneamente. Limites e limitações em variados graus compõem esse painel de interesses, em que há pouco diálogo entre o aproveitamento da tecnologia e o respeito às condições de trabalho.

Por José Cordeiro –  fotojornalista (via ARFOC – SP)