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FOTO&JORNALISMO

Fazer e pensar o fotojornalismo

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Jornalistas, fontes e a Internet


O professor Helder Bastos fala em seu blog “TRAVESSIAS DIGITAIS” da dissertação de mestrado defendida pelo jornalista Rui Gomes na Universidade Nova de Lisboa: A importância da Internet no relacionamento entre jornalistas e fontes de informação.

Rui Gomes procurou saber como a Internet é utilizada por jornalistas portugueses de imprensa, rádio e televisão. Segundo Helder Bastos, ele chegou a algumas conclusões aqui resumidas:

* A quase totalidade dos jornalistas inquiridos tem uma opinião «extremamente positiva» sobre a Internet, o que leva, segundo o autor do estudo, a uma visão «cor-de-rosa» do meio e a uma confiança excessiva no material encontrado online.

* Quase 90 por cento dos jornalistas inquiridos utilizam a Internet nas suas peças jornalísticas. O uso é menor por parte dos jornalistas de televisão.

* O email é utilizado por 73 por cento como ferramenta para encontrar e contactar fontes de informação.

* A maioria considera que a Internet facilita o seu trabalho, melhora a qualidade do mesmo e torna as notícias mais diversas.

* A facilidade de contato com fontes é uma das vantagens da utilização da Internet destacadas com particular relevo na imprensa.

* Os newsgroups são pouco utilizados pelos jornalistas dos três meios, enquanto os blogs são mais utilizados pelos jornalistas de imprensa.

* Os jornalistas de imprensa defendem que a fixação dos jornalistas nas redações é um fato (sedentarização do jornalismo), enquanto os jornalistas de rádio discordam totalmente.

O trabalho deve em breve ser lançado em livro.

E para os fotojornalistas?


Como não temos um código de conduta especial para o trabalho do repórter fotográfico, sugiro que leiam o código criado pela NPPA – National Press Photographers Association,  uma entidade profissional norte-americana.É claro que se trata de regras mais adequadas à atividade profissional num outro país, com características particulares de mercado, formação profissional, … mas nada impede que nós usemos o que há de melhor no código deles.

Veja a seguir o que diz o código da NPPA:

Os fotojornalistas funcionam como fiduciários do público. O seu papel principal é o de informar visualmente sobre eventos significantes, e sobre os vários pontos de vista do nosso mundo comum. O seu objetivo principal é a lealdade e a representação exaustiva do assunto que têm em mãos. Como fotojornalistas, têm a responsabilidade de documentar a sociedade, e de preservar a sua história através de imagens.

Imagens fotográficas e de vídeo podem revelar grandes verdades, expor o mal e a negligência, inspirar esperança e compreensão e ligar as pessoas à volta do globo através da compreensão da linguagem visual. As fotografias podem também causar muitos danos se forem insensivelmente intrusivas ou manipuladas.

Este código visa promover a mais elevada qualidade em todas as formas de fotojornalismo e reforçar a confiança pública na profissão. Também tem como intuíto servir como ferramenta educacional quer para os que praticam, quer para os que apreciam fotojornalismo. Com esse fim, a National Press Photographers Association avança com o seguinte Código de Ética:

Os fotojornalistas, e quem gere a produção de notícias visuais são responsáveis por manter os seguintes padrões no seu trabalho diário:

– Ser preciso e exaustivo na representação dos sujeitos.

– Resistir a ser manipulado por oportunidades fotográficas organizadas.

– Ser completo e prover contexto quando se fotografa ou grava sujeitos.

– Evitar estereotipar indivíduos e grupos.

– Reconhecer e trabalhar no sentido de evitar apresentar a sua opinião nos trabalhos.

– Tratar todos os sujeitos com respeito e dignidade.

– Ter consideração especial por assuntos vulneráveis e compaixão pelas vítimas de crimes e tragédias.

– Ser intrusivo em momentos privados de dor apenas quando o público tiver uma suprema e justificada necessidade de ver.

– Quando se fotografa sujeitos não contribuir intencionalmente para alterar, ou tentar alterar ou influenciar os eventos.

– A edição deve manter a integridade das imagens fotográficas, do seu conteúdo e contexto.

– Não manipular imagens, ou adicionar, ou alterar o som de nenhuma forma que possa enganar os espectadores, ou falsear os assuntos.

– Não pagar às fontes ou aos sujeitos nem os recompensar materialmente por informação ou participação.

– Não aceitar presentes, favores, ou compensação dos que podem procurar influenciar a cobertura.

– Não sabotar intencionalmente os esforços de outros jornalistas.

Idealmente, os fotojornalistas deviam:

– Esforçar-se para assegurar que os assuntos públicos sejam conduzidos em público.

– Defender os direitos de acesso para todos os jornalistas.

– Pensar proativamente, como um estudante de psicologia, sociologia, política e arte, para desenvolver uma visão e apresentação única.

– Trabalhar com apetite voraz sobre eventos atuais e em meios de comunicação contemporâneos.

– Lutar por acesso total e sem restrições aos sujeitos, recomendar alternativas para encurtar e apressar oportunidades, procurar uma diversidade de pontos de vista, e trabalhar para mostrar pontos de vista impopulares e pouco notórios.

– Evitar envolvimentos políticos, cívicos e empresariais ou outras ocupações que comprometam ou aparentem comprometer a sua independência jornalística.

– Lutar por ser discreto e humilde quando se lida com sujeitos.

– Respeitar a integridade do momento fotográfico.

– Lutar através do exemplo e da influência para manter o espírito e os elevados padrões expressos neste código.

– Quando confrontados com situações nas quais a sua ação não é clara, procurar conselho dos que detêm maior experiência profissional.

– Os fotojornalistas devem estudar constantemente o seu ofício e a ética que o guia.

© 2004 The National Press Photographers Association, Inc.

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