Apesar de não existirem regras estabelecidas para o trabalho de manipulação de imagens fotojornalísticas, é possível se guiar pelas regras abaixo reproduzidas. Estas regras foram discutidas por associações de fotógrafos do mundo inteiro e empresas de comunicação.

Estas diretrizes são uma forma de ajudar editores e repórteres a formular políticas para a aplicação ética e objetiva da edição da imagem digital e seus procedimentos na fotografia jornalística:

Regras e normas éticas para a manipulação e edição de imagens

 

Procedimentos de ajuste realísticos: Estes procedimentos de edição são permitidos em imagens digitais para compensar limitações e defeitos inerentes ao processo fotográfico digital, desde que necessários

                              Balanço e correção de Cor;

                              Queimar, ou escurecer parcialmente;

                              Proteger ou clarear parcialmente;

                              Retoque de riscos, manchas, pó, ruídos digitais;

                              Correção de distorção de lente;

                              Otimização de Arquivo;

                              Ajustes de foco;

                              Retoque de brilhos ou reflexos;

                              Clarear ou escurecer globalmente a imagem;

                              Eliminação de olho vermelho.

 Imagem Jornalística/Editorial:

(Procedimentos Permissíveis): Os seguintes procedimentos de edição em imagem digital são aceitáveis em uso jornalístico/editorial, a menos que a natureza da publicação exija que as imagens sejam precisamente representativas do que foi fotografado

                              Cortes (crop), escurecimento ou suavização de foco para reduzir/eliminar material supérfluo, preservando o contexto do evento;§ Realçar uma imagem, ou parte de uma imagem, quando atende um propósito investigativo. O uso de técnicas de realce deve ser descrito na legenda;§ Encobrir a identidade de alguém, por exigência ou recomendação legal, feito de forma óbvia (venda, pixelização);

                              Acrescentar movimento ” proporcional ” realístico para objetos em movimento.

     

Imagens Jornalísticas/Editoriais: (Procedimentos não admissíveis). Os seguintes procedimentos de edição imagem digital não são aceitos para uso jornalístico/editorial:

                              Adicionar, remover ou mover objetos de tal um modo que o contexto do evento seja alterado.§ progressão de idade ou regressão (por exemplo acrescentando cabelos brancos).§ Mudar a expressão facial de uma pessoa, gestos, roupa, partes do corpo ou acessórios pessoais.

                              Retoques que aumentem ou reduzam a qualidade ou aparência de um artigo, ou a estética de um lugar.

                              Aplicação de movimento para criar uma impressão enganosa de que o assunto está movendo a uma velocidade diferente da que estava se movendo durante o evento.

                              Efetuar ou mudanças de cor de maneira que os efeitos ou mudanças de cor aplicados não aparentem edição digital ou onde parte do evento original seja encoberto.

                              Uso de qualquer outro procedimento de edição digital de forma a criar uma impressão enganosa do evento, dos participantes ou contexto.

                              Em fotografia de natureza, deve-se tomar cuidado especial para representar animais e plantas em seu ambiente natural, habitat e contexto (por exemplo: iluminar um fundo para parecer que um animal noturno é diurno).

                              Não é aceitável a manipulação de fotografia de natureza para criar um falso aparecimento de animais, associando-os com outros animais (inclusive humanos) ou aumentar o número de animais em um grupo.

                              Não é admissível representar um fenômeno fabricado como natural (por exemplo adição de uma estrela cadente ou arco-íris).

                              É permissível o destaque em imagens ou parte de imagens de natureza com a finalidade de investigação ou visibilidade , contanto que a manipulação seja incidental, óbvia ou especificamente descrita para o espectador.

 Imagens de promoção em publicações Jornalísticas:

As seguintes formas de edição digital são aceitáveis (por exemplo em capas de publicação e áreas introdutórias de um artigo) até certo ponto, de forma que não enganem sobre os eventos, participantes ou contexto

                              Edição de cor e luz com efeito criativo.§ Montagens, justaposições e efeitos de montagem.§ Ajustes de foco.

                              Transformação em retrato (portraitization) de uma fotografia não-retrato (isolando e retocando o assunto contra um fundo).

                              Retoques de pele e embelezamento de cabelo.

                              Titulo (ou outro texto) superposto.

                              Uso de outros procedimentos digitais de edição de modo a não enganar sobre os eventos, participantes ou contexto.

  Ainda segundo essas regras, o arquivo original capturado pelo fotógrafo (ou digitalizado) deve ser preservado. Todos os arquivos que integrarem uma imagem composta, também deveriam ser preservados como evidências da extensão da edição. Além disso, toda publicação deveria designar um ou mais editores para decidir sobre assuntos éticos relacionados a imagem digital e procedimentos.

No caso brasileiro, os controles sobre os processo de manipulação ainda são mais frágeis que no exterior. Jornais como O Globo e Folha de S. Paulo, adotam normas internas que proíbem a alteração ou eliminação de conteúdo total ou parcial de imagens digitais. No Manual de Redação da Folha, essa regra aparece de forma tímida: “em geral, a Folha não usa montagens fotográficas, fotos recortadas, invertidas, retocadas, ovais ou redondas” (MANUAL DA FOLHA DE S. PAULO. 8a edição. 1998, p. 144-145

De qualquer forma, como lembra Sousa (2000), mesmo que se possa distinguir o fotojornalismo da ilustração editorial, a disseminação das tecnologias digitais impede o controle institucional sobre a manipulação digital de fotografias, ainda que jornalísticas. “Até mesmo a questão da propriedade intelectual e a questão do controle econômico sobre a imagem digital se tornam problemáticas, pois não existem negativos” (SOUSA, Jorge Pedro. História Crítica do Fotojornalismo Ocidental. Chapecó: Griffo, 2000, p. 216).